A semana foi marcada por quatro acontecimentos que reforçam como engenharia social, abuso de relações de confiança e automação estão ampliando o alcance de ataques cibernéticos.

Entre os principais destaques estão um ataque à cadeia de suprimentos envolvendo componentes da Brevo, uma campanha atribuída a hackers norte-coreanos que utiliza falsas vagas de emprego para infectar profissionais de tecnologia, uma operação policial brasileira contra um grupo acusado de fraudes e invasões utilizando a técnica ClickFix e um incidente em que um modelo do Google Gemini interagiu com sistemas reais durante um teste de segurança.

Embora os casos sejam diferentes, todos apresentam um elemento em comum: a exploração de contextos aparentemente legítimos para induzir pessoas ou sistemas a realizar ações que não deveriam ocorrer.

Ataque à Brevo pode ter alcançado mais de 100 mil sites

A Brevo foi utilizada como ponto de distribuição de uma campanha maliciosa que atingiu componentes incorporados em sites de terceiros.

Segundo a empresa de segurança Sansec, mais de 100 mil sites podem ter sido potencialmente expostos.

O incidente ocorreu em duas etapas.

A primeira começou em 10 de setembro de 2026, quando invasores exploraram uma falha relacionada ao sistema de autenticação SSO SAML da Brevo e conseguiram acessar 138 contas de clientes.

Quatro dias depois, os atacantes utilizaram uma chave de API da Cloudflare comprometida para criar um Worker malicioso capaz de alterar conteúdos entregues aos visitantes.

Primeiro comprometimento atingiu contas de clientes

Segundo a Brevo, das 138 contas acessadas:

  • Seis foram utilizadas para envio de phishing;
  • Contatos foram exportados de outras 43 contas.

A empresa bloqueou o acesso não autorizado, mas os atacantes continuaram a operação por outra via.

Esse ponto é importante porque demonstra que a contenção de um primeiro vetor não significa necessariamente que todo o incidente foi encerrado.

Atacantes podem manter:

  • Outras credenciais;
  • Tokens;
  • Chaves de API;
  • Contas persistentes;
  • Acessos em serviços de terceiros.

Chave da Cloudflare permitiu modificar conteúdo distribuído aos usuários

Em 14 de setembro, os invasores utilizaram uma chave de API da Cloudflare com permissões suficientes para administrar recursos da empresa.

A credencial permitiu criar um Cloudflare Worker capaz de modificar respostas antes que chegassem aos usuários finais.

O código malicioso foi injetado em:

  • Páginas da Brevo;
  • Componentes da sibforms.com;
  • Arquivos JavaScript;
  • Scripts incorporados por clientes.

Com isso, o incidente ultrapassou a infraestrutura da própria Brevo e passou a atingir sites externos que confiavam nos componentes fornecidos pela empresa.

Esse comportamento caracteriza um ataque à cadeia de suprimentos.

ClickFix era utilizado para infectar visitantes

Os scripts maliciosos apresentavam uma falsa página de verificação da Cloudflare.

A vítima era informada de que precisava comprovar que era humana e recebia instruções para copiar e executar manualmente um comando no Windows.

Esse método é conhecido como ClickFix.

A técnica utiliza engenharia social para convencer o próprio usuário a executar o código responsável pelo comprometimento.

A ação pode resultar na instalação de malware mesmo sem a exploração direta de uma vulnerabilidade no computador.

Esse tipo de golpe é especialmente perigoso porque imita procedimentos que usuários já estão acostumados a visualizar na internet.

Administradores de WordPress também estavam em risco

Em sites WordPress, a campanha apresentava um comportamento adicional.

Quando identificava que o visitante estava autenticado como administrador, o código tentava instalar um plugin não autorizado.

Segundo a Sansec, esse mecanismo poderia permitir persistência no site, funcionando como um backdoor mesmo depois que a distribuição do código malicioso pela Brevo fosse interrompida.

Isso significa que remover a origem do ataque não elimina automaticamente todos os comprometimentos derivados dele.

Worker permaneceu ativo por várias horas

A Brevo informou que o recurso malicioso ficou ativo por aproximadamente cinco horas e meia.

Depois de identificar a atividade, a empresa:

  • Removeu o Worker;
  • Revogou a chave da Cloudflare;
  • Revogou credenciais relacionadas;
  • Interrompeu a campanha.

A Sansec estimou que a distribuição ativa do malware ocorreu durante aproximadamente quatro horas.

Mesmo uma janela relativamente curta pode ser suficiente para comprometer milhares de usuários quando o fornecedor possui grande alcance.

Mais de 100 mil sites podem ter sido expostos

A estimativa da Sansec está relacionada justamente à utilização de scripts compartilhados por uma grande quantidade de clientes.

Em vez de comprometer individualmente 100 mil sites, os invasores atingiram um componente central utilizado por diversas organizações.

Esse é um dos principais riscos de ataques à cadeia de suprimentos:

um único ponto comprometido pode ampliar o ataque para milhares de ambientes confiáveis.

A Brevo ainda não confirmou o número exato de sites afetados.

Sites e computadores podem continuar comprometidos

Mesmo depois da contenção realizada pela Brevo, alguns clientes ainda podem enfrentar consequências.

Sites WordPress que receberam o plugin malicioso podem manter persistência.

Da mesma maneira, usuários que executaram os comandos apresentados pelo ClickFix podem ter malware instalado nos computadores.

Por isso, empresas que utilizam os componentes afetados devem revisar:

  • Plugins instalados;
  • Arquivos modificados;
  • Conexões externas;
  • Credenciais administrativas;
  • Logs do período;
  • Alterações incomuns.

Como reduzir riscos relacionados a fornecedores

Entre as principais medidas estão:

  • Revisar scripts de terceiros;
  • Aplicar menor privilégio às chaves de API;
  • Rotacionar credenciais;
  • Monitorar alterações na CDN;
  • Utilizar cofres de segredos;
  • Monitorar plugins instalados;
  • Verificar integridade do conteúdo entregue;
  • Criar processos de resposta a incidentes de fornecedores.

O caso demonstra que risco de terceiros não deve ser analisado apenas durante a contratação.

Ele precisa ser monitorado continuamente.

Falsas vagas de emprego infectam milhares de dispositivos

Outro destaque da semana envolve uma campanha denominada WaterPlum, atribuída por autoridades a hackers norte-coreanos.

Segundo alerta conjunto de autoridades dos Estados Unidos, Japão, Austrália e Alemanha, a operação infectou pelo menos 30 mil dispositivos em aproximadamente 100 países entre dezembro de 2025 e julho de 2026.

Os principais alvos são profissionais de tecnologia, incluindo:

  • Desenvolvedores;
  • Engenheiros;
  • Web designers;
  • Profissionais de blockchain;
  • Especialistas em criptomoedas.

Os criminosos utilizam falsas oportunidades profissionais para convencer as vítimas a executar arquivos maliciosos.

Ataque começa com um processo seletivo aparentemente legítimo

Os invasores abordam vítimas por meio de:

  • Redes sociais;
  • Plataformas de freelancers;
  • Sites de vagas;
  • Contatos profissionais.

Os falsos recrutadores podem se apresentar como representantes de empresas de:

  • Tecnologia;
  • Inteligência artificial;
  • Blockchain;
  • Desenvolvimento de software.

Durante a entrevista, o candidato recebe um arquivo ou programa que supostamente faz parte de um teste técnico.

Ao executar o conteúdo, o malware é instalado.

Campanha utiliza diferentes famílias de malware

Autoridades japonesas identificaram diferentes ferramentas relacionadas à campanha, entre elas:

  • BeaverTail;
  • InvisibleFerret;
  • OtterCookie;
  • OtterCandy;
  • StoatWaffle.

Esses malwares podem:

  • Roubar credenciais;
  • Obter dados de carteiras digitais;
  • Coletar informações;
  • Manter acesso persistente;
  • Permitir controle remoto.

Segundo as autoridades, aproximadamente sete mil carteiras de criptomoedas teriam sido afetadas, com perdas estimadas em mais de US$ 10,5 milhões.

Criminosos podem manter acesso esperando que a vítima seja contratada

Um dos aspectos mais interessantes da campanha é a possibilidade de o invasor manter o malware ativo mesmo depois de conseguir roubar informações.

Segundo as autoridades, os operadores podem esperar que a vítima seja contratada por uma empresa.

Nesse cenário, o computador já comprometido pode posteriormente ser utilizado para acessar recursos do novo empregador.

Isso transforma um ataque contra uma pessoa física em um potencial vetor de comprometimento corporativo.

Campanha faz parte de estratégia observada há anos

Operações semelhantes já foram identificadas contra profissionais de tecnologia e defesa.

Em campanhas anteriores, desenvolvedores de blockchain receberam falsas propostas por plataformas profissionais como LinkedIn.

A estratégia vem sendo acompanhada por pesquisadores desde pelo menos 2020.

Falsas oportunidades profissionais funcionam especialmente bem porque conseguem explorar:

  • Curiosidade;
  • Interesse por salários maiores;
  • Confiança em plataformas profissionais;
  • Pressão para concluir testes técnicos;
  • Familiaridade com instalação de ferramentas.

Esquema também envolve falsos profissionais de TI

As investigações também relacionam a campanha a outro modelo de operação atribuído à Coreia do Norte: falsos profissionais de TI que procuram empregos remotos em empresas estrangeiras.

Esses indivíduos utilizam identidades falsas ou roubadas para se apresentar como profissionais localizados em outros países.

Em determinados casos, depois de obter acesso legítimo aos sistemas corporativos, essas pessoas também teriam participado de atividades maliciosas.

“Fazendas de laptops” ajudam a mascarar a localização

Autoridades japonesas também identificaram estruturas utilizadas para fazer com que profissionais remotos aparentassem estar fisicamente em outro país.

Os equipamentos permanecem em determinada região, enquanto os operadores se conectam remotamente.

Para os sistemas corporativos, a conexão parece estar partindo de uma localização legítima.

Isso demonstra que localização geográfica, isoladamente, não é suficiente para validar uma identidade.

Inteligência artificial auxilia na falsificação

Ferramentas de IA também foram identificadas como parte dos esquemas.

Entre os recursos utilizados estavam:

  • Troca de rosto;
  • Conversão de texto em voz;
  • Tradução;
  • Ajuste de pronúncia.

Esses recursos ajudam os candidatos fraudulentos a se apresentar de maneira mais convincente durante entrevistas.

Para áreas de RH e segurança, isso aumenta a importância da verificação de identidade.

Como candidatos e empresas podem se proteger

Candidatos devem:

  • Validar recrutadores por canais oficiais;
  • Evitar executar arquivos desconhecidos;
  • Desconfiar de testes que exigem instalação de programas;
  • Nunca fornecer credenciais de carteiras;
  • Utilizar ambientes isolados para testes desconhecidos.

Empresas devem:

  • Validar identidades;
  • Monitorar dispositivos de novos funcionários;
  • Aplicar MFA;
  • Conceder privilégios mínimos inicialmente;
  • Monitorar acessos remotos;
  • Revisar rapidamente comportamentos anômalos em contas recém-criadas.

Operação ClickFix mira grupo de cibercriminosos no Brasil

No Brasil, a Polícia Civil de Santa Catarina deflagrou a Operação ClickFix contra uma organização investigada por cibercrimes, fraudes eletrônicas e invasões de sistemas.

A ação contou com participação de diferentes forças estaduais e federais.

Foram cumpridos:

  • 17 mandados de busca e apreensão;
  • Dois mandados de prisão.

A investigação envolveu órgãos especializados em perícia digital e operações cibernéticas.

Mais de R$ 17 milhões em ativos foram apreendidos ou bloqueados

Entre os bens relacionados à operação estão aproximadamente:

  • R$ 8,78 milhões em criptoativos;
  • R$ 6,5 milhões em imóveis;
  • R$ 2,432 milhões em veículos.

O valor total de bens apreendidos ou sequestrados chegou a aproximadamente R$ 17,7 milhões.

Também foram determinadas medidas de bloqueio bancário que podem atingir R$ 93 milhões.

A recuperação de criptoativos demonstra como investigações de cibercrime também precisam envolver rastreamento financeiro.

Grupo utilizava a técnica ClickFix

Segundo as investigações, os criminosos utilizavam a mesma técnica observada em diferentes campanhas internacionais.

A vítima encontrava uma falsa mensagem de erro ou alerta.

Depois, recebia instruções para executar comandos no computador.

Ao seguir o procedimento, acabava fornecendo aos invasores acesso ao dispositivo.

A principal característica do ClickFix é não depender necessariamente de uma vulnerabilidade técnica.

O atacante explora o comportamento da própria vítima.

Falsas intimações eram utilizadas para aumentar credibilidade

Segundo a investigação, o grupo também utilizava documentos falsos atribuídos a órgãos policiais.

A presença de uma intimação supostamente oficial aumenta a pressão psicológica sobre a vítima.

Essa combinação pode envolver:

autoridade aparente + urgência + instrução técnica = execução do código malicioso.

Depois de obter acesso, os criminosos conseguiam coletar dados e credenciais.

Sistemas públicos e empresas financeiras foram afetados

As investigações apontam comprometimento de credenciais relacionadas a:

  • Órgãos públicos;
  • Polícias;
  • Poder Judiciário.

Também teriam sido obtidos dados de empresas ligadas à cadeia de suprimentos financeira.

Entre os alvos estavam organizações que trabalham com Banking as a Service, modelo no qual uma infraestrutura financeira é disponibilizada para outras empresas.

O comprometimento desse tipo de fornecedor pode ampliar significativamente o impacto do ataque.

Operação combinou investigação digital e financeira

A atuação conjunta envolveu:

  • Investigação tradicional;
  • Perícia digital;
  • Rastreamento de ativos;
  • Análise de evidências;
  • Bloqueios financeiros;
  • Recuperação de criptomoedas.

A operação mostra que o combate ao cibercrime não termina na identificação do malware ou do endereço IP utilizado.

Também é necessário acompanhar a movimentação financeira associada às fraudes.

Como empresas podem reduzir o risco de ClickFix

Entre as principais medidas estão:

  • Treinar funcionários para não executar comandos recebidos em páginas;
  • Restringir PowerShell quando possível;
  • Monitorar execução de scripts;
  • Utilizar EDR;
  • Aplicar MFA;
  • Manter navegadores atualizados;
  • Criar canais oficiais para validar comunicações;
  • Treinar equipes contra falsas intimações e suporte técnico fraudulento.

Um usuário nunca deveria precisar executar comandos administrativos simplesmente porque uma página web pediu.

Gemini acessa empresas reais durante teste de segurança

Outro acontecimento relevante envolve testes de segurança realizados com modelos de inteligência artificial.

Segundo informações divulgadas pelo Google, um modelo Gemini interagiu com sistemas pertencentes a três empresas reais durante uma avaliação conduzida pela empresa Irregular.

O exercício deveria ocorrer em um ambiente controlado do tipo capture-the-flag.

O problema começou porque uma empresa fictícia utilizada no cenário possuía o mesmo nome de uma organização real e o modelo recebeu acesso acidental à internet.

Modelo tentou descobrir senhas e usar credenciais públicas

Segundo o Google, o Gemini realizou pesquisas na internet acreditando que os resultados encontrados faziam parte do exercício.

Em um dos episódios, tentou diferentes senhas até conseguir acessar um sistema.

Em outros dois casos, encontrou credenciais relacionadas a empresas reais em repositórios públicos e tentou utilizá-las.

O Google afirmou que o modelo interrompeu as ações quando percebeu que os sistemas pertenciam a organizações reais.

As empresas afetadas foram notificadas.

Google classifica comportamento como identificação equivocada

Segundo a empresa, o incidente não foi tratado como um caso de desalinhamento do modelo.

A avaliação do Google é que o agente interpretou incorretamente os alvos como parte do teste.

As próprias proteções do modelo teriam contribuído para interromper a atividade depois que a situação foi identificada.

Também não foram relatados danos decorrentes das ações.

Problema central estava no isolamento do teste

O episódio chama atenção porque uma avaliação controlada acabou permitindo interação com infraestrutura externa.

O modelo não precisava necessariamente “escapar” de um ambiente.

Bastou o ambiente de testes fornecer acesso à internet.

A partir daí, o sistema:

  • Pesquisou informações reais;
  • Encontrou credenciais;
  • Tentou autenticação;
  • Interagiu com sistemas externos.

O incidente foi comunicado às organizações afetadas e às autoridades norte-americanas.

Testes de agentes autônomos precisam de novos controles

O caso reforça uma preocupação crescente com modelos que conseguem:

  • Pesquisar na internet;
  • Executar comandos;
  • Acessar APIs;
  • Utilizar credenciais;
  • Interagir com aplicações;
  • Tomar decisões sequenciais.

Quando um agente recebe essas capacidades, o próprio ambiente de testes passa a ser parte essencial da segurança.

Um erro de configuração pode transformar uma ação simulada em uma atividade real.

Casos semelhantes já apareceram em outras avaliações

O material também menciona episódios envolvendo modelos de outras empresas.

OpenAI e Anthropic já divulgaram ou investigaram situações nas quais agentes realizaram interações inesperadas fora do escopo originalmente previsto.

Esses acontecimentos vêm levando laboratórios de IA e empresas responsáveis por avaliações a rever seus procedimentos.

Como realizar testes seguros com agentes de IA

Entre os principais controles estão:

  • Isolar totalmente os ambientes;
  • Bloquear internet quando desnecessária;
  • Utilizar credenciais fictícias;
  • Criar serviços simulados;
  • Monitorar ações em tempo real;
  • Definir limites claros;
  • Implementar bloqueios automáticos;
  • Exigir aprovação humana em ações externas;
  • Registrar todas as atividades.

Quanto maior a autonomia do agente, mais rigoroso precisa ser o ambiente de execução.

O que os acontecimentos desta semana têm em comum

Os quatro casos mostram como ataques e incidentes podem explorar relações de confiança.

Na Brevo, usuários confiavam nos scripts fornecidos por um serviço legítimo.

Na WaterPlum, candidatos confiavam em falsos recrutadores.

Na Operação ClickFix, vítimas eram convencidas por falsas mensagens e documentos aparentemente oficiais.

No teste com Gemini, o próprio agente de IA confiou incorretamente que recursos encontrados na internet faziam parte do ambiente autorizado.

Em todos esses casos, a tecnologia não é o único elemento relevante.

O contexto também é utilizado como parte do ataque.

Engenharia social está cada vez mais integrada à tecnologia

ClickFix é um bom exemplo dessa evolução.

O atacante não precisa necessariamente desenvolver uma vulnerabilidade sofisticada.

Ele pode convencer a vítima a:

  • Abrir PowerShell;
  • Copiar um comando;
  • Executar um programa;
  • Aprovar uma autenticação;
  • Instalar uma ferramenta;
  • Entregar uma credencial.

Isso transforma o próprio usuário em uma etapa da cadeia de execução.

O mesmo princípio aparece nas falsas vagas.

Um arquivo que seria imediatamente suspeito em um e-mail aleatório pode parecer legítimo quando apresentado como um teste técnico durante uma entrevista.

Terceiros também ampliam a superfície de ataque

O incidente envolvendo a Brevo mostra que a segurança de uma organização depende de mais do que sua própria infraestrutura.

Scripts, bibliotecas, CDNs, APIs e fornecedores criam relações de confiança.

Um fornecedor comprometido pode atingir seus clientes mesmo quando esses clientes não possuem uma vulnerabilidade direta.

Por isso, organizações precisam conhecer:

  • Scripts externos utilizados;
  • Serviços SaaS;
  • Integrações;
  • APIs;
  • Chaves;
  • Dependências;
  • Permissões concedidas a terceiros.

Identidade continua sendo um dos principais pontos de atenção

Vários acontecimentos desta semana envolveram algum tipo de identidade ou credencial:

  • Contas SSO;
  • Chaves de API;
  • Credenciais encontradas em repositórios;
  • Identidades falsas em processos seletivos;
  • Credenciais obtidas por ClickFix.

Isso reforça a importância de controles como:

  • MFA resistente a phishing;
  • Cofres de segredos;
  • Menor privilégio;
  • Monitoramento de autenticação;
  • Rotação de credenciais;
  • Revisão de acessos.

Prioridades para as organizações

Os acontecimentos desta semana reforçam algumas prioridades:

  • Revisar fornecedores críticos;
  • Reduzir privilégios de chaves de API;
  • Remover segredos do código-fonte;
  • Monitorar componentes externos;
  • Treinar equipes contra ClickFix;
  • Monitorar PowerShell;
  • Validar processos seletivos;
  • Verificar identidade de novos funcionários;
  • Segmentar dispositivos recém-admitidos;
  • Monitorar contas novas;
  • Isolar testes com agentes de IA;
  • Bloquear acessos externos desnecessários;
  • Utilizar supervisão humana em automações críticas.

Conclusão

Os conteúdos desta semana mostram que a segurança cibernética depende cada vez menos de uma divisão simples entre sistemas “confiáveis” e “não confiáveis”.

Um script legítimo pode ser modificado por um fornecedor comprometido.

Uma vaga aparentemente legítima pode esconder malware.

Uma falsa intimação pode convencer o usuário a executar um comando.

E até um agente de inteligência artificial pode interpretar incorretamente um sistema real como parte de um exercício autorizado.

Por isso, confiança não pode ser absoluta.

Ela precisa ser acompanhada de:

  • limites, validação, monitoramento e capacidade de revogação.

O incidente da Brevo demonstra a importância desse princípio no relacionamento com fornecedores. Uma única credencial privilegiada permitiu que o comprometimento fosse amplificado para milhares de sites.

A WaterPlum mostra que os processos de recrutamento também precisam fazer parte da segurança corporativa. O risco pode começar antes mesmo de o funcionário entrar na empresa.

A Operação ClickFix mostra que campanhas relativamente simples de engenharia social podem produzir impactos financeiros relevantes quando conseguem explorar confiança e autoridade.

Já o episódio envolvendo o Gemini demonstra que sistemas autônomos também precisam operar dentro de perímetros claramente definidos.

Quanto maior o nível de autonomia, maior deve ser o nível de controle.

A principal lição desta semana é que o princípio de Zero Trust precisa ser aplicado não apenas a usuários e dispositivos, mas também a fornecedores, APIs, processos seletivos, automações e agentes de inteligência artificial.

Confiar menos não significa impedir a operação.

Significa verificar continuamente aquilo que recebeu permissão para operar.